A era das startups

Trabalhar para uma grande empresa não está dentro de meus planos. Não a menos um ideal. Para ganhar um bom salário lá, há dois grandes problemas: concorrer com muita gente, e essa muita gente ter pensamento antigo, ultrapassado.

Por outro lado, não há pessoas com pensamento antigo apenas em grandes empresas. Ainda há pessoas que sonham em estar da equipe de um novo Facebook ou um novo Twitter, algo que começa pequeno, e que irá ser adotado massivamente pelas pessoas e se tornar uma tendência onipresente da realidade de um futuro próximo. Isso me soa como um conto de fadas. Faz tempo que não acontece nada nesse sentido. O que não significa que não há mais oportunidades de ganhar dinheiro.

Como ex-estudante de Marketing, aprendi a ter um respeito e admiração especial não pelas grandes empresas, mas pelas pequenas. Elas têm um diferencial que por definição nunca será alcançado pelas grandes empresas: elas são mais rápidas e flexíveis. E isso permite que elas preencham as frestas de mercado que as grandes empresas são incapazes de preencher, o que inclue os momentos de crises financeiras.

Muito além de uma pequena empresa. Uma startup!

Startups tem muito de seu valor entregue através de tecnologias. Não necessariamente a alta tecnologia (seja lá o que isso signifique...), mas uma tecnologia aplicada de forma criativa, capaz de resolver um pequeno problema de uma grande quantidade de pessoas.

As startups não tem pretensões megalomaníacas, como costuma se notar no pensamento antigo. Não se tem pretenções em tentar ser o próximo Uber, a próxima Microsoft, a próxima SAP... Desta forma, podemos pensar que há menos fantasia no mundo das startups.

As sturtups têm como costume usar a tecnologia para resolver problemas simples do fluxo de informação. Seu "parque tecnológico de softwares" tende a ser enxuto. Com isso, as problemas tecnicos tendem a ser resolvidos com menos pessoas. Outro ponto positivo para elas. Seus objetivos são sempre mais tangíveis do que aqueles estabelecidos pelo pensamento antigo.

E me arrisco a dizer mais uma bela característica dessas empresas: as pessoas! Quem está dentro de uma startup sabe que não está se baseando em algo que existe, em vez disto está abrindo caminho na mata virgem, indo para onde ninguém esteve antes. Neste contexto, existe uma predisposição maior para assumir uma postura de ouvir os outros e menos espaço para pessoas que se colocam na posição de saberem tudo e desprezarem a opinião dos outros. Em um ambiente deste, estar predisposto para ouvir novas ideias pode ser um questão de sobrevivência, porque o que já está escrito nos livros ou o que já foi vivido pelos mais velhos não serve. Isso está de acordo com o que eu havia estudado em marketing: percebi que muitas empresas se tornaram mais rentáveis, escaparam de crises, cresceram e se tornaram lugares melhores a partir do momento que reconheceram em seus colaboradores/funcionários sendo UM ATIVO INTELECTUAL, capaz de dar ideias com o potencial de revolucionar a forma de como a empresa funciona. Sim, isso realmente não é pouca coisa, e precisa ter uma postura de humildade dos alto-administradores que não está presente no pensamento antigo. Afinal de contas faz todo sentido pensar que quando você contrata um braço, ganha de brinde um cérebro. E é total responsabilidade da empresa saber como aproveitar esse potencial.

As startups são o reflexo do mundo veloz

O mundo veloz faz sentido. Faz parte da evolução que todos tenham que sempre se preocupar em evoluir e aprender. E a mentalidade das startups está alinhado com isso.

O mundo está cheio de empresas grandes. Mas como escrito agora a pouco, as empresas grandes são lentas e menos flexíveis. E isso eu aprendi em minhas aulas de Marketing. Logo, o mundo é das startups! São elas que vão preencher os espaços que não conseguem ser ocupados pelas grandes empresas, e a maioria delas não conseguem se adaptar com a velocidade necessária para as mudanças. E mesmo quando começam uma mudança para se adaptar ao mercado, sempre há ainda o peso da estrutura tradicional.

As empresas grandes, para se adaptarem, elas tem alguns movimentos costumeiros. Entre as opções, vender divisões ultrapassadas, tal qual a HP fez com sua divisão de impressoras, a IBM faz com sua divisão de computadores. Comprar pequenas empresas inovadoras, como a Google gostuma fazer (sim, a Google está no rol de empresas grandes e lentas). Ou mesmo alterações drásticas em sua filosofia de negócios, como a Microsoft fez no momento em que começou a fazer investimento pesado em software livre, bastando ver o reflexo disso nas opções de Linux oferecidas pela Microsoft Azure e o .NET Core. Por final, as empresas grandes podem iniciar investimentos em assuntos que requerem um alto grau de pesquisa e conhecimento tecnico, que é a única coisa que as startups não conseguem fazer. O desenvolvimento da inteligência artificial é um exemplo típico nesse sentido. Mas são apenas as startups que já nascem completamente adaptadas ao mundo veloz. Nescem sem terem estruturas atreladas aos padrões mais tradicionais da administração de um empresa.

A hora de começar tudo de novo

Outra coisa estudada nas aulas de Marketing são as condições para a rentabilidade futura de um negócio. Uma das situações a serem previstas por qualquer novo negócio é a probabilidade de aparecerem concorrentes que venham ameaçar a fatia do mercado que a empresa atende. E isso também pode ser estimado, quando estimamos a facilidade de copiar seus ativos, suas atividades e seu modelo de negócio. Pois bem, a tecnologia, e justamente também porque se trata de lidar com um problema pequeno do fluxo de informação, é fácil de ser copiada.

O valor de uma startup não é oferecida por sua capacidade de fazer coisas inovadoras, mas da sua capacidade de perceber um problema para ser resolvido em pouco tempo. Talvez uma startup dê muito dinheiro quando começa a decolar. Mas em poucos anos, o que ela faz não será masi novidade, e aparecerão outras startups que irão copiar e adaptar uma parte do conceito de seu negócio. Se a startup cresce muito, então ela "deixa de ser uma startup", e o que antes a preocupação era atacar um peoblema de mercado que não se podia ser atacado pelas empresas grandes, passa a ser a preocupação de perpetuar o seu modelo de negócio. Muito provavelmente, também será o momento em que a empresa começará a ter uma dificuldade para continuar crescendo.

Mas não há problemas. Quando isso acontece, sempre haverão pessoas criativas e empreendedoras que vão conseguir preencher os espaços deixados pela antiga startup. Sempre haverão novas necessidades que serão supridas por ideias simples e conseguiram aliar a satisfação de um problema com o ganho de dinheiro. O valor está em identificar uma necessidade e montar, montar rápido um conceito e colocá-lo em prática. E em questão de algum tempo, esse conceito estará ultrapassado e será necessaria iniciar o ciclo novamente. Não é muito diferente da realidade na vida profissional de um programador.

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